Sevilha, 2009 © Adelina Silva
Fica. Não adormeças. Não apagues a luz, sabes que tenho tanto medo do escuro.
Não me acordes cedo. Deixa-me aconchegar com carinho no teu ombro no começo de um dia sem pressa.
Fica, não esperes que o dia se esconda, se ensombre, se acobarde, se revolte.
Não chames as dúvidas, afaga-me o cabelo, os sentidos…
Desperta-me apenas de um possível pesadelo… Tenho tantos.
(…)
Não feches a janela, deixa-me continuar a beber o azul tórrido de uma lua húmida que se arrasta dengosa no final de mais um dia cansado do nada.
Fica comigo.
Até que o desejo adormeça
Até que a lua se canse de sorrir
Até que os nossos corpos se sintam dormentes
Até que o nosso amor dure
Até que seja possível acreditar no nosso desassossego
Até que deixe de sentir esta vontade imensa de estar contigo
Até que o fim se deixe anunciar.
Fica comigo.
Não me acordes, não me despertes.
Deixa que o tempo se escape, que voe, com calma.
Deixa que o nosso silêncio acabe por ser tudo
Deixa muito espaço para o amor que iremos fazer no próximo minuto.
Fica, sem pressas.
O amor vive apenas de pequenos instantes.
Leonor Bettencourt Bernardo