permanecemos aqui, neste quarto, onde a escuridão é eterna claridade. fora deste lugar nunca viste o mar.
mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar. e a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas…
breves nuvens. o entardecer sobre o corpo estendido na erva fresca do sonho. Abrias nas pedras fulvas da praia um sítio para esconder a paixão.
cansei-me de te sonhar. cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
donde te escrevo apenas uma parte de mim não partiu.
encosto a alma à quilha do navio. deixo-me ir no vaivém das marés, e da fala
mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar. e a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas…
breves nuvens. o entardecer sobre o corpo estendido na erva fresca do sonho. Abrias nas pedras fulvas da praia um sítio para esconder a paixão.
cansei-me de te sonhar. cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
donde te escrevo apenas uma parte de mim não partiu.
encosto a alma à quilha do navio. deixo-me ir no vaivém das marés, e da fala
Al Berto, in “O Último Coração do Sonho”



Porto, 2009 © Adelina Silva















