A teia foi construída com as palavras da lua
E com a ajuda do vento.
O corpo preparou-se para a entrega da
Delicadeza e ela esperou em surpresa
Pela chegada do desejo e da paixão.
Ficou parada sentido o tempo cobrar
Até que ele chegasse e ficasse, não como
Uma vítima, mas como compromisso
E eternidade.
Ele veio banhado de promessas e
Mãos de sonho...ela cozinhou o
Amor, cantou para ele de dia e o
Enrolou em sua teia de prazer à noite.
Seus lençóis de cetim foram perfume
De pecado e jasmim, sua boca de
Estrela foi o beijo de carmim.
Revelava-se poesia em seus cabelos,
Nas unhas cravadas nas costas dele,
No olhar que o rasgava em cada mordida
Atrevida dessa que tinha uma teia
Cultivada em flor e beleza.
Aos poucos, ele foi paralisando,
Ficando imóvel, envolvido naqueles
Contornos de luz e paz.
Aos poucos ele foi esquecendo de
Fugir e foi querendo muito mais.
E na teia dela ficou preso o amor
Sussurrando pelo avesso o encontro
Da pele com o mito em esplendor.
Karla Bardanza







Porto, 2009 © Adelina Silva











