Porto, 2011 © Adelina Silva
Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas. No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como se gastam tostões. Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca. Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas, de novo voltam a ser. Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática. Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas. No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como se gastam tostões. Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca. Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas, de novo voltam a ser. Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática. Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.
José Fanha, in "Cartas de Marear"












