quarta-feira, 7 de julho de 2010

Contemplação

Póvoa de Varzim, 2010 © Adelina Silva

Quem descuida a vida, embevecido numa ingénua contemplação (e todas as contemplações são ingénuas), não vê as coisas com desprendimento, dotadas de livre, complexo e contrastante movimento, que forma a essência da sua comicidade. O típico da contemplação é, pelo contrário, determo-nos no sentimento difuso e vivaz que surge em nós ao contacto com as coisas. É aqui que reside a desculpa dos contemplativos: vivem em contacto com as coisas e, necessariamente, não lhes sentem as singularidades e características; sentem-nas, pura e simplesmente.
Os práticos - paradoxo - vivem distantes das coisas, não as sentem, mas compreendem o mecanismo que as faz funcionar. E só ri de uma coisa quem está distante dela. Aqui está, implícita, uma tragédia: habituamo-nos a uma coisa afastando-nos dela, quer dizer, perdendo o interesse.

Cesare Pavese, in "O Ofício de Viver"

Sugestão Musical
Bliss - Remember my name

3 comentários:

mfc disse...

Não gosto do desprendimento, mas do intenso.
A nossa Póvoa é mesmo linda!

Remus disse...

Belo momento!
Muitos dizem que as fotografias do pôr-do-sol são clichés, mas a mim isso não me interessa. Adoro-as! E espero também continuar a tirar muitas.
Muitos parabéns.

João Costa disse...

Um dos temas que aprecio e que gosto muito de trabalhar é mesmo neste, o por-do-sol.
A praia esta bem desenhada para tal cenário, gostei!