domingo, 20 de Dezembro de 2009
A Pele do Medo
quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Morte de Rimbaud
Madrid, 2009 © Adelina Silva Al Berto, in “Horto de Incêncio”
Dantes ouvia o mar... bastava encostar a cabeça ao peito um do outro.
Mas um homem em cujo coração esteja concentrada toda a fúria de viver, será um homem feliz?
Não sei se posso querer alguma eternidade... não sei...
... o que vejo já não se pode cantar.
Que horas serão dentro do meu corpo?
Que mineral vermelho jorraria se golpeasse uma veia... não sei...
... o que vejo já não se pode cantar.
Lembro-me duma cabeça rebelde flutuando junto à janela. Mas a casa está repleta de gemidos, vai amanhecer, não me lembro de mais nada.
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sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
Fantasmas
(…)
verdade - bateram à porta
mas não podias abrir
nesta casa só sobrevive a memória turva
dos poemas amados - mais ninguém mais nada
além da parede de lodo e da caixa de sapatos
cheia de sílabas preciosas - e uma mesa pequena
com um albatroz empalhado para te vigiar a alma
(…)
Al Berto, in “Horto de Incêndio”
sábado, 5 de Dezembro de 2009
Não há nada que faças
que te não faça imenso mal,
desde o uso das estrelas
ao abuso corporal.
Em volta de ti morre a morte
mas tu próprio não ficas inteiro
sorris de manhã à noite
como a um espelho fatal.
Cortas a vida aos pedaços
para ver se fica igual.
Não há nada que tu faças
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Crystie Street
O caminho está cheio de cidades
Cujo nome perdi. Tal como o teu.
Cobria-te do sol pela manhã
E era suave ocultar-te com o corpo.
Isso deve bastar-te. Basta-me a mim.
É inútil chorares aí à porta:
Os sapatos conduzem ao caminho.
Atira se puderes minha lembrança a um poço
Ou aprende as canções da tua infância.
Os sapatos conduzem-me ao caminho.
J.M. Fonollosa, in “Cidade do Homem: New York”Leia o post completo...
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
E Olé.... yo!
Sevilha, 2009 © Adelina Silva(...)
Quilhas partidas, navios ao fundo, sangue nos mares!
Convezes cheios de sangue, fragmentos de corpos!
Dedos decepados sôbre amuradas!
Cabeças de creanças, aqui, acolá!
Gente de olhos fora, a gritar, a uivar!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Embrulho-me em tudo isto como numa capa no frio!
Roço-me por tudo isto como uma gata com cio por um muro!
Rujo como um leão faminto para tudo isto!
Arremeto como um touro louco sôbre tudo isto!
Cravo unhas, parto garras, sangro dos dentes sôbre isto!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh eh-eh-eh-eh!
De repente estala-me sôbre os ouvidos
Como um clarim a meu lado,
O velho grito, mas agora irado, metálico,
Chamando a presa que se avista,
A escuna que vai ser tomada:
Ode Marítima - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Rap da Tourada
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Deixa-me entrar
Abre o teu coração e deixa-o ficar aberto. Não é preciso que seja durante muito tempo. Só para que algumas palavras possam passar, sair e entrar. Palavras tão velhas que as há desde que as há. Sobretudo as que para saírem têm antes de entrar e o inverso. Todas as palavras merecem todo o respeito, o maior respeito. Porque mais não temos e talvez seja por isso que, ao começar a falar, já não é possível parar, mesmo querendo tudo calar.
domingo, 22 de Novembro de 2009
Bonsoir! C'est la folie!
Bonsoir
Ton véhicule n'a pas l'air d'avoir de passager
Peux-tu, Veux tu me recevoir
Sans trop te déranger?
(...)
Et si parfois l'on fait des confessions
A qui les raconter - même le bon dieu nous a laisse tomber
Un autre endroit, une autre vie
Eh oui, c'est une autre histoire
Mais a qui tout raconter?
Chez les ombres de la nuit?
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Acto de Amor
Da janela avista-se uma linha verde de ervas, rasteiras e macias, tão macias que podemos imaginar um corpo nu deitado sobre elas, entregando-se, num acto amoroso, à natureza que o gerou e completa. Cresce sobre essa linha uma árvore ainda jovem, com o tronco rasgado em dois braços abertos, erguidos para o céu. Pelas mãos de ambos chega-nos aos ouvidos uma melodia breve, um rumor elemental que nos fere os sentidos e ecoa pelas cavidades interiores do corpo, como um fio de água límpida que corre numa fonte, bem perto dali.
Há ainda uma casa sobre a linha verde de erva macia. É castanha, da cor da terra que não se vê da janela. Nasceu dos trabalhos da mão de ambos os poetas, a árvore e o jovem que há pouco, debaixo dela, se deitava com a erva. Cada uma das pedras que a erguem na paisagem, diante dos nossos olhos, é um som cristalino e puro. É nela que o poeta regista os acordes do solene acto de amor que vive com a natureza. É nela que se concentra o vivo lume dos cíclicos exercícios da sua mão, que colhe os frutos da árvore, e da sua boca, que canta o seu sabor.
Circulam por entre as linhas desta mínima visão, algumas das mais ternas razões que poderemos ter, neste Inverno, para ler a poesia de Eugénio de Andrade. Porque dentro de casa está o fogo, o vivo lume que nos aquece as mãos. Entremos.
José Pedro Ferreira,
in Eugénio de Andrade – Textos e Pretextos, Inverno 2004, nº 5
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Sonidos de calle
Sevilha, 2009 © Adelina SilvaAinda tenho em mente a imagem magra, franzina, uma bengala na mão, quem sabe se por vaidade ou se por vontade...
Ainda tenho em mente, a figura esbelta, rebelde...
passando na rua sem saída onde habitávamos,
nas noites de solidão.
Ainda tenho em mente
o sorriso cordial, sempre presente, quando passavas
p'lo grupo de miúdos de guitarra na mão e canções idealistas
nessas noites de Verão.
Ainda tenho em mente
"lá vai o Mário..." e os "boas noites!"
e o sorriso sempre presente
Ainda tenho em mente
sempre presente
a figura magra, franzina,
voz calma e serena
quando conversávamos, por momentos,
antes de ires procurar a tua inspiração
nessas noites de Verão.
Mário Cesariny
Feliz aniversário Mário
sábado, 14 de Novembro de 2009
Maluda
Esta janela já não tem enredos,
ninguém por ela espreita, ninguém espera
vê-la semicerrar, semiabrir
o olhoblíquo do ciúme;
nem por ela passarão as trajectórias
do suicida e do escalador.
Romeu morreu e a doce expectação
de Julieta é comprimido sono.
Sequer uns braços nus de janeleira,
hasteada brancura, nela podem
demorar o gozo dum voyeur,
que esta janela já não serve para...
Esta janela é uma finta, é uma jogada
no xadrez de quem a pinta e assina.
Alexandre O'Neill
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Vazio
Para além de outro oceano
Uma sala grande e vazia é uma alma silenciosa
E as correntes de ar que levantam pó são os pensamentos
(...)
Fernando Pessoa
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domingo, 8 de Novembro de 2009
Manual de Boas Maneiras
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Desespero
Há uma ligação muito estreita entre a adoração da acção e o uso do homem como meio de atingir fins que não são o homem. Como há uma ligação aproximada entre este desespero e a acção, entre a razão e a acção. A proeminência dos valores da acção sobre os da contemplação indica, sobretudo, que o homem abandonou totalmente a busca duma ideia aprazível do homem e o desejo de o colocar como fim. E que na impossibilidade de agir segundo um fim, ou de agir para ser homem, ele decide agir de qualquer maneira, apenas para agir.
O homem de acção é um desesperado que procura preencher o vazio do seu próprio desespero com actos ligados mecanicamente uns aos outros e compreendidos entre um ponto de início e um ponto de conclusão, ambos gratuitos e convencionais.
Alberto Moravia, in "O Homem Como Fim”
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Menina à janela
Preciso dos outros ( quem de mim precisa?)
Nos teus olhos vejo uma promessa nua.
A esperança está viva, a vida está certa:
guarda a minha mão, guardarei a tua.
Alexandre O'Neill
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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Perenidade
Porto, 2009 © Adelina SilvaO que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente.
Vergílio Ferreira, in "Escrever"
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Bruxas há muitas
As bruxas assumem muitas formas. Já o escritor Roal Dahl nos avisava que elas estão onde menos se espera. Se fossem todas iguais às dos livros, não havia nenhum menino, nem nenhum adulto que entrasse nas suas casas de chocolate e acabasse preso numa gaiola, na engorda.
É para poderem enfeitiçar mais gente que elas às vezes se disfarçam, e só percebemos quem realmente são quando deixam cair a máscara. Ou seja, invariavelmente, tarde de mais.
A bruxa vingativa. Há mulheres que nasceram para fazer a vida dos homens num inferno, que me desculpem as minhas correligionárias. Não é por os obrigarem a dizer que gostam delas vinte vezes ao dia, que isso é uma banalidade congénita, mas por viverem obcecadas pelo seu ciúme e não permitirem que os pobres rapazes se afastem dois passos sem a sua companhia. Fingem que procuram um par, mas na realidade querem um servo da gleba. Há relações com bruxas vingativas que duram anos, tal o medo de uma separação, mas os que conseguem dar o grito do Ipiranga recebem a confirmação de que os seus receios eram justificados. Estas bruxas recusam-se a aceitar que o amor tenha acabado, ou a «união» chegado ao fim. Quando sentem que ainda podem reconquistar o escravo, fazem o papel de coitadinhas, mas mal percebem que a ruptura é definitiva, deitam as garras de fora.
A bruxa sedutora. São aquelas que abusam constantemente da nossa boa-fé e da nossa bondade. Falam com uma voz melosa e insinuam-se o mais que podem. Aquilo cheira-nos ligeiramente a esturro, por vezes temos quase a certeza de que nos estão a dar uma grande tanga, mas lá vamos dando o benefício da dúvida. E, de caminho, cumprindo as suas ordens, fazendo o seu trabalho, assumindo as suas responsabilidades e, quando damos por isso, não passamos de marionetas nas suas mãos hábeis. No dia em que perdemos a cabeça, a bruxa sedutora faz o papel de vítima com tanto jeito para o teatro, que acabamos por nos chicotear a nós mesmos.
As bruxas boas. Estas são a paixão de qualquer pessoa de bom senso. Usam o chapéu de bico sem vergonha, montam-se em vassouras em pleno dia e não escondem o caldeirão na despensa. Podem desarmar quem quiserem com a sua varinha, mas, quando o fazem, o desarmado/a agradece, porque só fica a ganhar. Quando se encontra uma bruxa boa, nunca mais se suporta uma mulher banal, que não seja capaz de aquecer o jantar, mudar os móveis de sítio, ou fazer-nos rir até às lágrimas, só com um torcer de nariz. Felizmente todos conhecemos bruxas destas, e se formos gente cheia de sorte, até temos uma ou duas lá em casa.
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
O sossego da escala
domingo, 25 de Outubro de 2009
Desencontro
Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.
E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,
de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.
sábado, 24 de Outubro de 2009
Atei-a
A teia foi construída com as palavras da lua
E com a ajuda do vento.
O corpo preparou-se para a entrega da
Delicadeza e ela esperou em surpresa
Pela chegada do desejo e da paixão.
Ficou parada sentido o tempo cobrar
Até que ele chegasse e ficasse, não como
Uma vítima, mas como compromisso
E eternidade.
Ele veio banhado de promessas e
Mãos de sonho...ela cozinhou o
Amor, cantou para ele de dia e o
Enrolou em sua teia de prazer à noite.
Seus lençóis de cetim foram perfume
De pecado e jasmim, sua boca de
Estrela foi o beijo de carmim.
Revelava-se poesia em seus cabelos,
Nas unhas cravadas nas costas dele,
No olhar que o rasgava em cada mordida
Atrevida dessa que tinha uma teia
Cultivada em flor e beleza.
Aos poucos, ele foi paralisando,
Ficando imóvel, envolvido naqueles
Contornos de luz e paz.
Aos poucos ele foi esquecendo de
Fugir e foi querendo muito mais.
E na teia dela ficou preso o amor
Sussurrando pelo avesso o encontro
Da pele com o mito em esplendor.
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Sabes, sabes....???
Philip Roth, in "A Mancha Humana"
sábado, 17 de Outubro de 2009
O amor (dos outros)
No amor também é assim. Ou talvez seja eu que sou assim. Os homens com demasiadas mulheres em volta estão miseravelmente sozinhos. As mulheres que jogam em várias frentes comem sozinhas à noite refeições aquecidas no microondas.
(…)
O amor é para sentir, não é para mascarar. E quem tem medo de o viver é porque não o merece.
Cidália Dias, in “O Sexo e a Cidade” – Revista NS 197
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Escuta(-me) a chuva
mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar. e a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas…
breves nuvens. o entardecer sobre o corpo estendido na erva fresca do sonho. Abrias nas pedras fulvas da praia um sítio para esconder a paixão.
cansei-me de te sonhar. cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
donde te escrevo apenas uma parte de mim não partiu.
encosto a alma à quilha do navio. deixo-me ir no vaivém das marés, e da fala
Al Berto, in “O Último Coração do Sonho”
domingo, 4 de Outubro de 2009
Procissão
(...)
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!
(...)
sábado, 3 de Outubro de 2009
É assim porque é assim
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Sofrer para quê?
Ninguém se abandonará a ti, se não vir nisso algum proveito.
E tu? Creio ter-me abandonado uma vez, desinteressadamente. Não devo, portanto, chorar por ter perdido o objecto daquele abandono. Já não seria desinteressado, nesse caso. No entanto, vendo quanto se sofre, o sacrifício é antinatural. Ou superior às minhas forças. E chorar é ceder ao mundo, é reconhecer que se procurava algum proveito. Há alguém que renuncie, podendo ter? A caridade não é outra coisa que o ideal da impotência.
(…)
Mas a grande, a tremenda verdade é esta: sofrer, para nada serve.
Cesare Pavese, in "O Ofício de Viver"
domingo, 27 de Setembro de 2009
Possuo para sempre tudo o que perdi
Porto, 2009 © Adelina SilvaAl Berto, in “O último coração do sonho”
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Só
domingo, 20 de Setembro de 2009
Ai... que prazer...
Ai que prazer
não cumprir um dever
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
(...)
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Observar é preciso
Martin Amis, in "Money"
domingo, 13 de Setembro de 2009
Afinação
Porto, 2009 © Adelina Silvabrota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Porto, 2009 © Adelina Silva domingo, 6 de Setembro de 2009
Porque não te calas?
desmaia: a palavra
torna-se pele
sem leão lá dentro.
Não é mais segredo e não o sendo
finge ser lembrança
de fabrico imperfeito:
um cliqueti no silêncio escancara
a dantes inamovível porta
e virada a página acha-se apenas
uma moeda
que não corre já.
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sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Duplicidade
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Landscape
sábado, 29 de Agosto de 2009
O olhar para além do Outro
Porto, 2009 © Adelina SilvaFriedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
É a liberdade real?
domingo, 23 de Agosto de 2009
Gaiola Dourada...
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
A arte da conversação
Para agradar aos outros é preciso falar daquilo de que eles gostam e que os interessa, evitar as discussões sobre coisas indiferentes, formular-lhes raramente perguntas e não os deixar crer que se pretende ter mais razão que eles.
Evitemos sobretudo falar frequentemente de nós mesmos e de nos darmos como exemplo. Nada é mais desagradável do que uma pessoa que se cita a si mesma a cada passo.
François La Rochefoucauld, in 'Reflexões Diversas'
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Perdas e Ganhos
domingo, 16 de Agosto de 2009
A voz do silêncio
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
Tango
Magaluff, 2009 © Adelina Silvaquarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Chave da vida
Madrid, 2009 © Adelina SilvaEm segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, é livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar através da vida e de chegar assim a ele próprio e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os três aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.
Franz Kafka, in "Meditações"
domingo, 9 de Agosto de 2009
Olhar, ver e chorar
sábado, 25 de Julho de 2009
O tempo é um artista
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Projectar o Passado
Ciudad Rodrigo, 2009 © Adelina SilvaO presente estaria cheio de todos os futuros, se já o passado não projectasse sobre ele uma história. Mas, infelizmente, um único passado propõe um único futuro - projecta-o diante de nós como um ponto infinito sobre o espaço.
terça-feira, 21 de Julho de 2009
A Primeira de Todas as Paixões
sábado, 18 de Julho de 2009
Ser Diferente
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Por Entre os Sons da Música
Por entre os sons da música, ao ouvido
como a uma porta que ficou entreaberta
o que se me revela em ter sentido
é o que por essa música encoberta
acena em vão do outro lado dela
e eu sinto como a voz que respondesse
ao que em mim não chamou nem está nela,
porque é só o desejar que aí batesse.




































