
(...)
Quilhas partidas, navios ao fundo, sangue nos mares!
Convezes cheios de sangue, fragmentos de corpos!
Dedos decepados sôbre amuradas!
Cabeças de creanças, aqui, acolá!
Gente de olhos fora, a gritar, a uivar!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Embrulho-me em tudo isto como numa capa no frio!
Roço-me por tudo isto como uma gata com cio por um muro!
Rujo como um leão faminto para tudo isto!
Arremeto como um touro louco sôbre tudo isto!
Cravo unhas, parto garras, sangro dos dentes sôbre isto!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh eh-eh-eh-eh!
De repente estala-me sôbre os ouvidos
Como um clarim a meu lado,
O velho grito, mas agora irado, metálico,
Chamando a presa que se avista,
A escuna que vai ser tomada:
(...)
Ode Marítima - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

4 comentários:
Fotos bem bacanas...
Hehehehehehehehehehe... Um touro ou toiro estupefacto, de certeza está a olhar para umas pernas marotas.....!!???
Haaa o raio do animal é fotogénico...
Somos efectivamente muito frágeis.
Que beleza de fotografia; com o texto um momento intenso.Consegue parar o tempo, no passo fica o registo para todo o sempre.
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