sexta-feira, 27 de novembro de 2009

E Olé.... yo!

Sevilha, 2009 © Adelina Silva

(...)
Quilhas partidas, navios ao fundo, sangue nos mares!
Convezes cheios de sangue, fragmentos de corpos!
Dedos decepados sôbre amuradas!
Cabeças de creanças, aqui, acolá!
Gente de olhos fora, a gritar, a uivar!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Embrulho-me em tudo isto como numa capa no frio!
Roço-me por tudo isto como uma gata com cio por um muro!
Rujo como um leão faminto para tudo isto!
Arremeto como um touro louco sôbre tudo isto!
Cravo unhas, parto garras, sangro dos dentes sôbre isto!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh eh-eh-eh-eh!

De repente estala-me sôbre os ouvidos
Como um clarim a meu lado,
O velho grito, mas agora irado, metálico,
Chamando a presa que se avista,
A escuna que vai ser tomada:
(...)

Ode Marítima - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Sevilha, 2009 (c) Adelina Silva

Rap da Tourada


4 comentários:

O Santo Forte disse...

Fotos bem bacanas...

Arnaldo Macedo disse...

Hehehehehehehehehehe... Um touro ou toiro estupefacto, de certeza está a olhar para umas pernas marotas.....!!???
Haaa o raio do animal é fotogénico...

mfc disse...

Somos efectivamente muito frágeis.

João Viegas disse...

Que beleza de fotografia; com o texto um momento intenso.Consegue parar o tempo, no passo fica o registo para todo o sempre.