quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Maquin'arte

Magalluf, 2010 © Adelina Silva

Uma máquina é pura, desde a inocência com que se nos revela, ou seja precisamente a exterioridade em que se nos dá. Mas uma inocência é uma abertura à realização do que o não é. O destino de uma máquina tem o destino que lhe dermos, e um dos piores é o finalizá-la nela própria. Assim e para lá da criação do seu próprio espaço, por uma máquina, da alteração que a sua própria existência em nós promove, todo o problema se decide no lugar-comum desta alternativa: remeter a máquina ao homem ou degradar o homem à máquina.

Vergílio Ferreira, in "Invocação ao Meu Corpo"

3 comentários:

Remus disse...

Uma fotografia com umas cores que ninguém consegue ficar indiferente.
Mas se alguém conseguir ficar, então não consegue ficar indiferente com esta escultura (acho que posso chamar de escultura).
Gostei!

mfc disse...

O sistema tem optado pela 2ª alternativa... degradar o homem à máquina!
A foto lembra a reconciliação dos corpos.

Paulo V. Pereira disse...

Mas se o homem se tem degradado perante a máquina, a postura e valências deste não são diferentes da mesma. Talvez por isso, assista à fusão dos corpos e preste a minha ovação à imagem que tão bem ilustra esta publicação.
Qual é o caminho do homem da actualidade?