domingo, 30 de março de 2014

Não sei, sei lá!

Porto, 2010 © Adelina Silva



O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou. 

Fernando Pessoa, in "O Livro do Desassossego"


1 comentário:

cottidianus disse...

excelente! gosto muito da associação ao titulo e ao texto!