sábado, 24 de outubro de 2009

Atei-a

© Adelina Silva

A teia foi construída com as palavras da lua
E com a ajuda do vento.
O corpo preparou-se para a entrega da
Delicadeza e ela esperou em surpresa
Pela chegada do desejo e da paixão.
Ficou parada sentido o tempo cobrar
Até que ele chegasse e ficasse, não como
Uma vítima, mas como compromisso
E eternidade.

Ele veio banhado de promessas e
Mãos de sonho...ela cozinhou o
Amor, cantou para ele de dia e o
Enrolou em sua teia de prazer à noite.
Seus lençóis de cetim foram perfume
De pecado e jasmim, sua boca de
Estrela foi o beijo de carmim.

Revelava-se poesia em seus cabelos,
Nas unhas cravadas nas costas dele,
No olhar que o rasgava em cada mordida
Atrevida dessa que tinha uma teia
Cultivada em flor e beleza.

Aos poucos, ele foi paralisando,
Ficando imóvel, envolvido naqueles
Contornos de luz e paz.
Aos poucos ele foi esquecendo de
Fugir e foi querendo muito mais.
E na teia dela ficou preso o amor
Sussurrando pelo avesso o encontro
Da pele com o mito em esplendor.


Karla Bardanza

5 comentários:

Remus disse...

Ainda no passado fim de semana, também andei a fotografar este tema. Mas as minhas ainda não vi como ficaram... :-)

Enquadramento bem escolhido.

Vitamina Dupla disse...

Gosto do teu jeito de juntar a fotografia com o texto, mas a fotografia é o teu polo positivo para mim, adoro o que "vês"...

Não conhecia este escritor, gostei.
Gostei não, senti-o!

Beijinhos Adelina

João disse...

Fico sempre agradavelmente surpreendido com as tuas fotografias Adelina.mais uma para não variar 5***** e a música lindissima, parece-me ser Camel, mas isso também não vou saber :)

mfc disse...

Como é hábito uma óptima fotografia!
É sempre uma surpresa agradável passar por aqui.

Arnaldo Macedo disse...

Sabes...Sabes... hoje saboreie a chuva numa perspectiva de um olhar inquieto, fui ao meu bolso e uma nuvem de poeira saiu da algibeira, tirei uma folha de papel (MOLEGKINE) e risquei uma teia com uma caneta de pena com tinta da lua... Meu olhar ficou preso nesta teia... Tudo á minha volta tinha parado, as minhas veias rangiam o meu arcaboiço estremecia o meu pensamento estava impensamental... Mas sabes... sabes... sei que acima de tudo, sem pensar, somos dois Gira-luas, lado a lado a seguir a luz do luar...