terça-feira, 23 de junho de 2009

A espera

Madrid, 2009 © Adelina Silva

... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
Clarice Lispector

5 comentários:

micael disse...

Uma espera... consoladoramente desesperante!

Whispers disse...

Ola!

Por vezes os dias sao anos e os anos sao dias
Um espera,uma espera que pode ser um talvez,ou uma espera que pode acabar em uma desilusao

Gostei deste post,muito....
beijinhos mil

Whispers

mfc disse...

A lucidez desconforta-nos, apesar de ser o único caminho do desengano.

Remus disse...

Mas a sabedoria popular diz que "Quem espera desespera."
Eu, confesso, não tenho paciência para esperar muito tempo. :-)

Clara disse...

Esta imagem... esta espera... este desencontro entre dois seres... fabulosa e triste ao mesmo tempo.