sexta-feira, 20 de março de 2009

Auto-Retrato



Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.


Natália Correia, in "Livro dos Amantes II"

2 comentários:

mfc disse...

A nossa contradição é a nossa coerência. E nisso não há qualquer incompatibilidade.
Foi bonito teres escolhido este poema da Natália.

Paulo - Intemporal disse...

No Dia Mundial da Poesia, deposito aqui um ramo de sílabas que mais tarde virei colher na vogalização de tantas as palavras de en.cantar.

e saio _______________________________ rendido.

Um beijo[.]