sábado, 17 de janeiro de 2009

Deixa-me entrar no teu mundo

Póvoa de Varzim, 2009 Adelina Silva
A noite foi agitada... o dia foi longo... a mente pesava tudo o que tinha sido dito; o corpo reflectia o cansaço da noite. Tudo parecia cinzento... tudo era ruído... tudo perturbava...
Não conseguia compreender porque teria de compreender... Não entendia porque teria de entender... Porque raio teria de se sentir assim... coração apertado... nó na garganta....
Alguém lhe tinha dito em tempos: "Se não for contigo, não quero estar com mais ninguém". Lembrava-se agora disso... Na altura não o tinha recebido como um elogio, não tinha dado importância. Agora, reunindo todas as peças do puzzle, apercebeu-se que se entregava às pessoas, que se envolvia de uma forma quase ingénua... desprovida de interesse... acreditava no Ser Humano... e por várias vezes lhe tinham falhado nessa crença quase cega.
Olhou para as gaivotas... sentiu-se sozinha a olhar para o bando... posta de lado como uma leprosa. Uma lágrima espreitou... salgada... fria... logo outra veio atrás... e mais outra... As gaivotas olhavam-na, completamente desprotegida e infeliz...

2 comentários:

Anónimo disse...

Amiga,
Me emocionei de ler seu texto… já te conheço há anos, sei quem tu és, o que vales… e és muito mais… pessoas como tu não existem… são um achado. Quem te pôs assim, não te merece! Sabes o que te digo?? Quando te fecham uma porta na cara, não tentes entrar pela janela… Vira as costas, segue o teu caminho sem nunca olhar para trás. A vulgaridade existe em todo o lado… tu és a peça de arte que qualquer pessoa gostaria de ter em casa. Tratar bem quem não te merece é deitar pérolas a porcos. Um beijo.
M.A.C.

Bill Stein Husenbar disse...

O quão perfeito seria entrar nesse mundo e por ai permanecer.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/