segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desisto

Póvoa de Varzim, 2009 Adelina Silva

Caravelas

Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este mar morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...

Florbela Espanca.

1 comentário:

joão disse...

Olá!Florbela Espanca muito interessante e intensa.A fotografia tem muito a ver com o poema.
beijinho