sábado, 24 de janeiro de 2009

Palavras para quê?

Póvoa de Varzim, 2009 Adelina Silva
Vasculhei a minha mochila à procura do bloco de notas. Ocorreu-me que isto já fazia parte da minha segunda natureza e sorri ironicamente. Nem sequer estava ali em trabalho. De repente, tudo aquilo me pareceu engraçado e desatei a rir. Palavras. Afinal de contas, o que são as palavras?
Será que se elas não existissem eu teria vontade de sorrir na mesma? Será que quando para mim ainda não existiam palavras, quando sorrir era apenas um reflexo, eu teria gostado das coisas? “Parece que estás a divertir-te”, disse Okabe. E, pela primeira vez, apercebi-me de que estava; naquele momento estava realmente a divertir-me muito. É verdade. Levo sempre muito tempo para me aperceber do que sinto. Antes, quando me apercebi de que desejava Okabe e quando lhe disse de imediato que o desejava – aquilo para mim tinha sido um acontecimento.
Mari Akasaka, in “Vibrações”

2 comentários:

Bill Stein Husenbar disse...

Bem interessante. É dificil não nos revermos nesse papel.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

joão disse...

Olá! As palavras gastam-se depressa, o silêncio é de ouro, por vezes..
Uma questão: quando não existe desejo, a carência desaparece (pergunto)
beijinho