Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
2 comentários:
Há sempre a dualidade do longe que se faz perto e do perto que sentimos longe.
Os sentimentos e as interpretações da vida nem sempre coincidem, mas quando coincidem é um extase.
Adorei este emaranhado de fios.
As tonalidades e a suavidade resultaram muito bem.
Parabéns.
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