Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
4 comentários:
O insuportável silêncio a que a amargura nos confina.
Estava lendo o texto e vendo a fotografia e quase me sobressaltei com o som do mar e das aves... muito bom... quase parece que o mar está mesmo aqui... e o barco... será que estou sonhando?
Nossa... fiquei rendido! Parabéns!!! Decididamente, muito original!
Um abraço desde o interior do Brasil!
Ruben
Maio, o primeiro dia, o dia um, um dia, este.
Celebra-SE aquele que tem algo a fazer, ou que há tanto faz [...]
Maio também de Maria, de re.conciliação.
Maio de colher, a semente.
íssimo _______________________________ .
Inspiradissima a foto em fundo marinho.beijinho
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