quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sonho naufragado

Póvoa de Varzim, 2009 © Adelina Silva

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

4 comentários:

mfc disse...

O insuportável silêncio a que a amargura nos confina.

Ruben disse...

Estava lendo o texto e vendo a fotografia e quase me sobressaltei com o som do mar e das aves... muito bom... quase parece que o mar está mesmo aqui... e o barco... será que estou sonhando?
Nossa... fiquei rendido! Parabéns!!! Decididamente, muito original!

Um abraço desde o interior do Brasil!

Ruben

Paulo - Intemporal disse...

Maio, o primeiro dia, o dia um, um dia, este.

Celebra-SE aquele que tem algo a fazer, ou que há tanto faz [...]

Maio também de Maria, de re.conciliação.

Maio de colher, a semente.

íssimo _______________________________ .

Joni disse...

Inspiradissima a foto em fundo marinho.beijinho